Mostrando postagens com marcador História da Catequese. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História da Catequese. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de outubro de 2012

História da Catequese no Brasil

HISTÓRIA DA CATEQUESE NO BRASIL

 


Luiz Carlos Ramos da Silvaformador – catequista – bacharel em teologia.
Fontes bibliográficas:
ü  Dicionário de Catequética – Paulus.
ü  3ª Semana Brasileira de Catequese – Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética / CNBB.
ü  Revistas de Catequese – ano 31, nº 126 – abril/junho 2009. 

Introdução. A história da Catequese no Brasil, como a história da Igreja, se desenrola juntamente com os momentos vividos no país, desde a sua descoberta pelos portugueses, até a época atual, conforme relatos dos historiadores.
O Padroado português foi instituído durante os Descobrimentos, quando o Papa concedeu a Portugal o exclusivo da organização e financiamento de todas as atividades religiosas nos domínios portugueses e nas terras descobertas pelos portugueses. Por isso, o Rei de Portugal passou a poder construir igrejas e nomear os padres e os bispos, sendo estes depois aprovados pelo Papa. Era também o Chefe de Estado Português que impunha o barrete cardinalício ao Patriarca de Lisboa.
Assim, as estruturas do Reino de Portugal tinham não só uma dimensão político-administrativa, mas também religiosa. Com a criação do Padroado, muitas das atividades características da Igreja Católica eram, na verdade, funções do poder político. Particularmente a Inquisição, que nos Impérios de Portugal e da Espanha (que também beneficiava do regime de padroado) funcionou mais como uma polícia do que a sua função inicial religiosa.
O Padroado português foi muito alterado ao longo dos tempos, mas os seus últimos vestígios foram suprimidos com o desmantelamento do Império Português e com o Concílio Vaticano II (1962-1965), que desencorajava este tipo de organização da Igreja, em que o Estado se intrometia demasiado nos assuntos eclesiásticos.

A catequese no Brasil Colônia (1500 – 1759), Com a expedição de Pedro Álvares Cabral, em 1500, que encontra a terra que mais tarde receberá o nome de Brasil, estavam capelães, coordenados por Frei Henrique Coimbra, que nessas novas terras celebra a Primeira Missa. Em 1549, com Tomé de Souza, primeiro governador, chega o primeiro grupo de jesuítas, tendo à frente padre Manoel da Nóbrega (1517-1570). 1553 acompanha o segundo governador geral, Duarte da Costa, o jovem Jesuíta, de 19 anos, José de Anchieta (1533-1597), natural de Tenerife, nas ilhas Canárias.
A História registra que um dos primeiros catequistas do Brasil foi Pedro palácios (1500-1570), um leigo ermitão, provavelmente muito devoto de São Pedro de Alcântara, que viajou para o Brasil com os primeiros jesuítas e se instalou, em 1558, numa gruta, perto de Vila Velha, onde se originou Vitória, a Capital do Estado do Espírito Santo.
Os colonizadores e colonizados identificavam a cultura européia com o cristianismo. Evangelizar e catequizar eram o mesmo que europeizar, aportuguesar. Tornar os índios cristãos requeria, portanto, torná-los portugueses, em tudo e para tudo, pois eram considerados pagãos e bárbaros inimigos da fé cristã e da civilização trazida pelos portugueses. Aos poucos nasceu e se firmou, no Brasil, a Cristandade Colonial, segundo os moldes da Cristandade Portuguesa medieval.
Podemos dizer eram quatro os métodos usados para a formação e a consolidação da Cristandade colonial no Brasil:
Espontâneo – era o da convivência dos portugueses com a população autóctone, influenciado-a no modo de viver como católico: suas devoções, as festas populares católicas, os casamentos entre os colonizadores e os nativos.
O trabalho dos missionários jesuítas, que organizaram e levaram à frente, de 1549 até 1580, um sistema de catequese, específica para a instrução religiosa dos Índios. Iniciaram, como escreve Nóbrega, a partir de um leigo, em 10 de abril de 1459: “O Irmão Vicente Rijo ensina a doutrina ás crianças cada dia, e, também, tem escola de ler e escrever... Mas foi José de Anchieta o verdadeiro líder deste processo de catequese dos indígenas. As demais Ordens Religiosas, Carmelitas, mercedários, Franciscanos, mesmo sem a catequese sistemática, como faziam os jesuítas, exerceram grande influência na evangelização e manutenção da fé nos colonizadores e nos índios.
Catequese paroquial – os padres, apesar de muito poucos, e mal preparados tinham obrigação de ensinar o catecismo.
Guerra santa – o império tinha o aval da Igreja para combater os inimigos desta fé. No Brasil Colônia esta guerra aconteceu contra os calvinistas e luteranos. Mas, também, contra os índios que se recusavam a ingressar na sociedade portuguesa, o que equivalia a recusar a Igreja.
E este quarto método fazia apelo à Inquisição introduzida em Portugal em 1536, por D. João III e, no Brasil, em 1591. Os suspeitos de heresia, de desrespeito grave aos padrões religiosos e morais do catolicismo da época, eram entregues aos tribunais eclesiásticos (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre).
A catequese no período da crise da consciência católica (1759-1840). Sebastião José de Carvalho e Mello, Marquês de Pombal, Ministro de D. José I de 1750 a 1777, expulsou a Companhia de Jesus de Portugal e de todas as colônias, por carta datada de 1759. Em conflito com o Vaticano, por assumirem ritos chineses e malabares nas missões da China e Japão, e por resistirem á secularização do pensamento, apoiada no princípio da razão e na nova ciência (Descartes, Newton, Locke), assim como a moderna concepção do Estado, que negava a intervenção papal e da Igreja nos assuntos temporais, os Jesuítas caíram na desgraça do governo português. Depois de ameaçá-los, o Marquês de Pombal confiscou todos os seus bens, e finalmente, com outros líderes da Europa, conseguiu o Papa a extinção da Companhia de Jesus, que foi reabilitada pelo papa Pio VII em 1814.
Nestes 55 anos de silêncio dos jesuítas no Brasil e com as Ordens religiosas em crise, a Igreja ficou profundamente enfraquecida em sua influência social.
Esta crise católica enfraqueceu a Igreja neste período, ocasionando uma lacuna na formação do catolicismo brasileiro, e com certa influência do galicanismo jansenista, no clero. Isso alimentou um movimento entre os padres propondo uma Igreja de cunho nacionalista brasileiro, com um clero não celibatário e num estilo de vida muito semelhante ao dos leigos.
A catequese na reforma católica de índole tridentina (1840 a 1920). A Reforma Tridentina foi introduzida no Brasil apenas em meados do século XIX, quando D. Pedro II iniciava seu reinado, em 1840. O episcopado brasileiro decidiu substituir o tradicional catolicismo lusitano, de cunho medieval e submisso ao Estado, pelo catolicismo de caráter romano, desvinculado do poder civil, e reformado de acordo com as decisões do concílio de Trento (1545-1563), com amplas mudanças na vida do clero, na liturgia (Missal de Pio V), no catecismo (catecismo Romano de Trento) etc. A reforma tridentina aconteceu de 1840 a 1889, tendo sua fase de consolidação nas três primeiras décadas da república, isto é, de 1890 a 1920, com o reforço do Concílio Plenário para a América Latina, em Roma, com Leão XIII (1900), e a renovação da catequese liderada pelo Papa Pio X (1905).
A restauração da influência católica na sociedade (1920-1960). Não foi fácil para a Igreja atuar nas primeiras décadas da República, devido à separação Estado e Igreja, imposta pelo novo regime de governo. Mas, além da quase totalidade do povo ser católico, o zelo pela ordem social sempre manteve a Igreja nas boas graças do governo. Isso encorajou alguns bispos a propor uma afirmação maior da Igreja na sociedade e um novo entendimento oficial com o Governo, sobretudo, no sentido de mútua colaboração para o bem dom o país. O catecismo e o ensino da religião nas escolas do Estado, afirmavam os bispos, eram pilastras fundamentais para a formação do cidadão honesto e cumpridor de seus deveres com a família e a pátria.
A renovação da Catequese sob influência do Concílio Vaticano II (de 1965 em diante). A catequese no Brasil influenciada pelo Plano de Emergência da CNBB, 1962, e, em seguida pela renovação católica desencadeada pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) entra num progressivo processo de renovação, com marcos significativos em sua caminhada.
No começo da década de sessenta o Brasil recebe forte influência da catequese francesa, por meio de ex-alunos do Instituto Superior de catequese de Paris (ISPC), que no Brasil criam algo similar, que foi de grande importância para a nossa Igreja: o Instituto Superior de Pastoral Catequética (ISPAC), que se multiplica por diversas capitais do Brasil.
Em julho de 1969, na X Assembléia Geral da CNBB, o Secretariado Nacional de Catequese, em seu relatório, apresenta a necessidade urgente de uma nova imagem da catequese, que ultrapasse o nocionismo e as memorizações para a redescoberta da mensagem cristã e do compromisso com a missão profética da Igreja. Uma catequese encarnada na vida pessoal e comunitária do homem, que vive e atua na família, na profissão, na política, na cultura.  DICIONÁRIO DE CATEQUÉTICA - PAULUS
Em 15 de abril de 1983, foi aprovado, durante a 21ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o documento Catequese Renovada: orientações e conteúdos, trazendo novas formas de se pensar e de se fazer a educação da fé.
Entre 13 e 18 de outubro de 1986, na Vila Kostka, em Itaici, Idaiatuba, São Paulo, realizou-se a 1ª Semana Brasileira de Catequese, com o tema central “Fé e vida em comunidade: renovação da Igreja e transformação da sociedade”.
Em 2001, nos dias 8 a 12 de outubro, foi realizada a 2ª SBC, em Itaici (SP), com o tema central “Com adultos, catequese adulta” e o lema “Crescer rumo a maturidade em Cristo (Ef 4, 13)”.
2005, na 43ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, entre os dias 9 e 17 de agosto, foi aprovado o texto do documento 83, Diretório Nacional de Catequese.
O objetivo geral do Diretório Nacional de Catequese é apresentar a natureza e a finalidade da catequese, traçar os critérios de ação catequética, orientar, coordenar e estimular a atividade catequética nas diversas regiões. Pretende, para tanto, estabelecer princípios bíblico-teológicos para promover e impulsionar a renovação da mentalidade catequética; orientar o planejamento e a realização da atividade catequética; coordenar as diversas iniciativas catequéticas; estimular e articular a ação catequética com as outras dimensões da pastoral.
2006, a 44ª Assembléia Geral da CNBB proclamou 2009 como o Ano Catequético Nacional, com o tema “Catequese, caminho para o discipulado”, inspirado no Documento de Aparecida (2007). O lema “Nosso coração arde quando Ele fala, explica as Escrituras e parte o pão (cf. Lc 24, 32.35)” apresenta a jornada dos discípulos de Emaús como iluminação para a prática catequética.
A preparação para o Ano Catequético Nacional foi organizado em três momentos, sempre tendo como eixo propulsor o Diretório Nacional de Catequese:
2007 – a fase da realidade e sensibilidade, tendo como palavra-chave “Encontro” e como fio condutor “Aprender caminhando com o Mestre”.
2008 – a fase do aprofundamento, com a palavra-chave “Aprofundamento” e como fio condutor “Aprender ouvindo o Mestre”.
2009 – o momento de celebração e ação, com as palavras-chave “Eucaristia – Missão”. 3ª SEMANA BRASILEIRA DE CATEQUESE – INICIAÇÃO A VIDA CRISTÃ – COMISSÃO EPISCOPAL PASTORAL PARA A ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA – CNBB
Gestação de novo tipo de Catecismo.Na família, a espera pela criança que vai nascer atinge todos e tudo. É um pouco o que se dá com o projeto de um novo catecismo local, a ser imaginado, programado e gestado com os olhos atentos às novas situações em que ele vai nascer. Todos somos convidados a colaborar, cientes de que enfoques, programação, subsídios, não podem mais ser os mesmos de 10 anos atrás. Fiéis ao passado, mas sem nos prendermos a ele, vamos pensar:
1.      Como aproveitar as chances de renovação que a pós-modernidade nos oferece?
2.      Como discernir o que é prioritário no momento atual?
3.      Como resistir profeticamente ao que é inaceitável para nós?
4.      Como preparar-nos para o diferente que já vem vindo?
5.      Quais são os efeitos do multiculturalismo sobre as novas gerações?
6.      Como respeitar lacunas e deficiências inerentes à processualidade da busca religiosa, sem fazer concessões indevidas, que podem dar a impressão de barateamento da fé?
7.      Como programar a catequese, nas diversas faixas etárias e situações, tendo em mente essas preocupações?
Pe. WOLFGANG GRUEN, SALESIANO, REVISTA DE CATEQUESE, ANO 31, Nº 126, ABRIL-JUNHO 2009, UNISAL, CENTRO UNIVERSITÁRIO SALESIANO DE SÃO PAULO.

A HISTÓRIA DA CATEQUESE

catequese 2
Jesus como Catequista de Deus Pai, anunciava o Reino dos Céus, acolhia as pessoas, ensinava por meio de gestos, palavras e parábolas. Foi Ele quem pediu: “Ide por todo o mundo e fazei com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que  ordenei a vocês”(Mt 28, 19-20).

Catequese como iniciação à fé e vida na comunidade. Primeira fase: Estende aproximadamente, do século I ao século V. No tempo dos Apóstolos, a vivência fraterna da comunidade ou seja, a participação na comunidade já era catequese. Havia uma admissão dos catecúmenos de três anos, que buscavam:
- Compreender melhor a fé
- Deixar de lado os costumes pagãos
- Realizar um tempo de conversão e santificação



Catequese como processo de imersão na cristandade.

Segunda fase: Nesse período que vai mais ou menos do século V ao século XVI, a catequese já não consistia tanto numa iniciação à comunidade, nem era necessária, pois todos já nasciam cristãos.       A sociedade se considerava animada pela religião cristã, que estabeleceu uma aliança entre o poder civil e o poder eclesiástico, tal fato denominou-se de cristandade.

Catequese como instrução.

Terceira fase: A partir do século XVI, a catequese passa a valorizar mais aprendizagem individual, na qual já não era tão marcante a ligação com a comunidade. Depois do Concílio de Trento, a Igreja começou  dar as crianças e adultos, aulas de catecismo. Apareceram os primeiros livros de catecismos de perguntas e respostas, para serem decoradas.

Catequese como educação permanente para a comunhão e a participação na comunidade de fé.
 
Quarta fase: Com o Concílio Vaticano II, a Igreja mais uma vez passa por um processo de amadurecimento. A Catequese se tornou mais evangelizadora, levando as pessoas a viverem em comunidades de fé, como os primeiros cristãos. Não adianta só decorar, mas é preciso viver o ensinamento de Jesus.

Pe. Toninho     Fonte: Catequese Renovada